fevereiro 21, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 20/02/2017

fevereiro 21, 2017
   Segunda-feira. Nosso dia de folga e refastelamento. Samuel e Febraro começaram a curtir o dia acordando às 5:00 da manhã para irem ao exército. Gabriel acordou às 6:15 para ir à faculdade. O restante da casa acordou tarde, não se sabe o horário em números exatos. Nada do dia de hoje se sabe com exatidão. Essa é a vantagem dos dias de folga. Tudo é sonho. Vou te contar o que ouvi. Gabriel chegou da faculdade por volta do meio dia e só encontrou Yasmim em casa. Ligia e Fernando haviam ido ao mercado, Preta e Azar ao médico e Almendra tinha ido trabalhar. Tocar música nos ônibus. Samuel e Febraro chegaram do exército por volta das 14:00, a tempo de almoçar com todos. Ligia fez uma tapioca incrível para cada um. Desde o almoço já combinamos a lasanha do jantar. Gabriel fez as artes para informações de nossas vagas e da aula de violão com nosso professor Carlão. Todos se dedicaram à arrumação da casa. Assim fomos até que surgiu a ideia de caminhar no Parque das Nações Indígenas. Foram Ligia, Fernando, Gabriel, Yasmim e Azar. Samuel e Febraro foram ao mercado comprar os ingredientes faltantes para a lasanha. Esqueceram a chave e ficaram para fora de casa, sentados na calçada com sacolas na mão. Por sorte, Almendra voltou do trabalho e ficou com as compras. Entregou aos caminhantes quando eles chegaram. Samuel e Febraro foram ao shopping, jantaram e foram ao cinema. Assistiram "Aliados" e se arrependeram. Cinema traz muito arrependimento. Voltaram para casa e a galera já tinha preparado e comido a lasanha. Os boatos de que estava deliciosa são fortes e convincentes. Conversamos e demos risada por bastante tempo até cada um subir para seus quartos. E quando subimos, abrimos os quartos alheios e nos juntamos de novo. A gente só se separa se for para se juntar de novo. Nos amamos. Principalmente nas folgas.


21/02/2017.



fevereiro 20, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 19/02/2017

fevereiro 20, 2017
  Acordamos às 8:30 para o dia de trabalho que nos esperava. Após tomarmos banho e café da manhã. nos dividimos em dois carros para irmos ao Shopping Bosque dos Ipês. Kelly, Samuel, Fernando, Febraro, Ligia, João e Yasmim partiram para a aventura de ensaiar O Pequeno Príncipe. Roberto, Azar, Almendra, Gabriel e Preta ficaram para outra: organizar a casa para zapparmos mais tarde. Chegamos no shopping às 10:00. Organizamos o camarim e montamos o cenário. Para essa apresentação, o avião ficou mais alto e toda a parte de música foi para cima das mesas. Agora sim, ensaio. Fernando com seu chapéu do Aviador e Ligia com o terno do Pequeno Príncipe. Começamos. Ensaio intenso até às 14:00. Paramos para comer. Compramos os lanches e almoçamos. Ao terminar, voltamos ao trabalho. Passamos o texto mais uma vez, testamos os microfones e fizemos os xixis necessários. Roberto chegou para ser o nosso Coringa e interpretar a peça em libras. Junto, vieram Almendra, Azar, Gabriel e Daniel para nos assistirem e gravarem o espetáculo. Às 15:15, já éramos A Turma do Bagacinho no cortejo. Chegamos num Arena Bosque cheio, composto de gente de todas as idades cantando nossa ciranda. A partir daí, só fomos. E fomos até o fim. Fim da peça. Fomos felizes para sempre! Tiramos fotos com o público. Roberto, Daniel, Almendra, Azar e Gabriel foram para casa para receberem a feirinha do 1° Zappada. Ainda ficamos por um tempo no camarim conversando sobre a peça e sobre o que vinha à cabeça. 

   Chegamos em casa às 18:40 e a feira já estava de pé, com as barracas de Thaisa e Fernanda e as artesanias de Preta. Sarah Caires expôs seus trabalhos e vendeu seu livro com Febraro, que você também pode comprar neste link. Gabriel expôs seus desenhos. Nos arrumamos para recepcionar o público, que foi chegando aos poucos. Aos poucos a casa se encheu. O evento foi tomando corpo e demos início às apresentações. Samuel e Febraro abriram com poesia. O trio de Carlão, nosso professor de violão começou com chorinhos. Depois, Azar e Almendra tocaram seus sambas. Yasmim e João foram se juntando. Fizeram a base e Fernando cantou as poesias de Febraro. A galera sambou, cantou junto e assim continuou. Zappamos. O evento estava cheio de gente dançando, sorrindo, se emocionando. Gente que aceitou nosso convite e veio. Nos divertimos juntos até acabar, perto da meia noite. Voltem sempre! Fomos lanchar na esquina. Energia boa, risada boa. Tudo fica bem quando tudo está bem. Achamos graça até de "O Exterminador do Futuro 3" na televisão da lanchonete. Voltamos para casa em bando. É o que somos. Só andamos de dez pra cima. Ainda bem. Deus me livre ser sozinho.


19/02/2017.


fevereiro 19, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 18/02/2017

fevereiro 19, 2017
   Nosso dia começou cedo. 6:30. Ligia acordou por volta desse horário para gravar um comercial e saiu às 7:40. Passou por Samuel, que acordou às 7:30 para ser Alcaparra e animar uma festa com Mixirica, a Kelly. Alcaparra e Mixirica saíram às 8:40. Palhaços no meio da rua. Aos poucos, o restante da casa foi despertando e realizando os trabalhos domésticos necessários. Fizeram o café da manhã às 11:30. Pão, mortadela, requeijão, suco, iogurte. O típico. O que havia de especial estava sentado nas cadeiras. Azar, Febraro, Almendra, Preta, Yasmim, João e Gabriel. Hoje estou para elogios. Ligia chegou da gravação e descansou. Quando Kelly e Samuel chegaram, a casa já estava em polvorosa. Azar, Almendra e Preta empenhados no preparo de nosso almoço, uma macarronada à bolonhesa incrível, e o restante trabalhando na limpeza da casa e do teatro para receber os alunos. 10 minutos antes da aula, os alunos já começavam a chegar. 10 minutos passados, a aula se iniciou, ministrada por Febraro, Samuel, João e Yasmim. Daniel com seu caderno de anotações à tiracolo. A primeira hora se destinou à musicalização, com João coordenando. Após se alongarem e aquecerem, as crianças começaram a produzir sons usando seu instrumento de trabalho: o corpo. Ouviam o som do outro e aprendiam com ele. Entendiam o timbre e os motivos do timbre. Se era o pé descalço, o chão de madeira ou a mão em forma de concha. Reproduziram o que ouviram. Na segunda etapa, por Yasmim, Febraro e Samuel, correram, rolaram, pularam, andaram normalmente e em câmera lenta, de olhos fechados e abertos, em dupla confiando no outro. Sempre buscando a consciência corporal. Toi Toi Toi!
   
   Enquanto a aula acontecia, todo o restante da casa almoçava junto. Até Roberto, que chegou para passar o fim de semana conosco. Preta passou o dia trabalhando em artesanias para sua banca mas tirou um tempo para fazer tranças em Gabriel. Fernando deu banho em Chaplin, Shakespeare e Nelson, os cachorros. Estão prontos para se sujar novamente. João ensaiou no piano com Almendra e Azar para o nosso Zappada, que ocorrerá amanhã. Venham! 16:00. Mais uma aula começou. Alongamento, aquecimento e musicalização, no mesmo método da aula anterior. As crianças logo entenderam que tudo é música. Ficaram em silêncio para ouvir o mundo. Começaram pelo ar condicionado e chegaram até os passarinhos. Trabalharam em seus sons. Na segunda parte, foi a hora de suar. Suaram pela ciência do ator, estudando o corpo e seus movimentos na grande busca da consciência corporal. Mais um Toi Toi Toi! Os pais dos alunos ficaram encantados com os artesanatos de nossos amigos argentinos, expostos em nossa garagem. Samuel e Fernando foram presenteados pela mãe de uma aluna por seus aniversários. Samuel pelo dia 07 e Fernando pelo dia 24, que se aproxima. O presente continha até um caderno de O Pequeno Príncipe, que não por coincidência apresentaremos amanhã, às 15:30, no Bosque dos Ipês! Esse é mais um convite que lhe faço. Venham! 

   Ao fim da aula, todos já se aprontavam para irmos ao Armazém Cultural prestigiar a Cia. De Carona, direto de Blumenau com a peça "Das Águas". Nós doze nos dividimos em três carros, como de costume. Discordando do ditado, doze não é demais. Faltou a Kelly, que estava trabalhando como Mixirica em outra festa. A peça terminou por volta das 21:00 e saímos para comer. Os três primeiros lugares que tentamos ir estavam fechados. Fomos comer espetinhos. E comemos. E comemos mesmo. Muito. Fome! Chegamos empanturrados em casa, aprontamos as coisas para o ensaio de amanhã e aos poucos fomos nos despedindo com carinho: beijos na testa, beijos mandados de longe e boa noites simpáticos. 

Nos amamos no fim da trabalheira toda. Flutuaríamos se não estivéssemos pesados de tanto comer. E te convidaríamos para voar com a gente. Com amor. Voem com a gente sempre que quiserem. A vida precisa de amor porque as histórias sem amor soam como um fuén fuén fuén eterno. Assim não gostamos. Gostamos de música! E por isso te convido. Para O Pequeno Príncipe, o Zappada e o amor. Te espero.


18/02/2017.


fevereiro 18, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 17/02/2017

fevereiro 18, 2017
   Antes do dia de hoje existir, existiu um combinado para o dia de hoje. Acordar cedo e comprar pão. Não cumprimos. Todos acordamos às 10:00. Yasmim fez omeletes para todos e Samuel fez tapiocas para quem queria. Colocamos a mesa e tomamos café da manhã juntos. Azar, Almendra, Fernando, Ligia, Febraro, Samuel, João, Yasmim, Preta, Gabriel, os omeletes, as tapiocas e as risadas. Nunca fomos tantos. Ainda bem que agora somos. Febraro e Samuel seguiram para a Saga da Matrícula Escolar. Enquanto isso, todos se dedicaram à limpeza e organização da casa para que ela ficasse impecável para os alunos. Ligia preparou o almoço. Peixe. Ouvem-se boatos a serem confirmados de que estava incrível. Todos almoçaram juntos. Preta, Azar e Almendra fizeram artesanatos para vender no nosso 1º Zappada, que ocorrerá no Domingo. Venham! Já montaram as mesas com todas as coisas. Repito: venham!

   Samuel e Febraro chegaram e se iniciou o ensaio de O Pequeno Príncipe, espetáculo que apresentaremos neste Domingo, às 15:30 no Shopping Bosque dos Ipês. Fizemos as alterações necessárias, reencaixamos as músicas e experimentamos nossos personagens de jeitos diferentes da montagem anterior. O dever do ator é experimentar tudo, não qualquer coisa. Frase de Ariane Mnouchkine, diretora e criadora do Théâtre du Soleil, que aprendemos no ano passado e temos procurado por em prática. Trabalhamos na peça até às 19:00, horário da aula da nova turma adulta de teatro. Conforme os alunos chegavam, nos assistiam ensaiar. A aula começou, ministrada por Fernando. Nos alongamos até o ponto de acordar o corpo. Andamos pelo espaço estudando nossa existência e a existência do outro, reagindo e usando velocidades. Somos um grupo. Trabalhamos o equilíbrio do espaço. Cada um escolheu um personagem da literatura para representar. Duplas apresentaram uma cena com o encontro desses dois personagens pré-definidos. Improviso. Duelos apaixonados. Guardamos a experiência. Passamos da hora sem perceber. Um grande "Merda" para finalizar! Duas novas matrículas. Enquanto a aula acontecia, Ligia e Kelly trabalharam nas planilhas de alunos.

   A casa fechou para o público. Fomos jantar pastel na feira. Adoramos pastel e nossos amigos argentinos tem adorado também. Azar, Almendra e Preta conseguiram autorização para vender artesanato na feira. Estava faltando por lá. Quatro mesas se juntaram e jantaram juntas dez pessoas. Terminamos empanturrados e voltamos para casa. Fomos no carro planejando trabalhos para março e pensando em espetáculos para abril. Começamos a encerrar o dia pouco a pouco. Encerramos as conversas, fechamos as portas e levamos garrafas d'água para nossos quartos. Almendra está procurando um livro para ler. Começou "Diário de Uma Paixão" de Nicholas Sparks e logo descartou. Febraro ofereceu "A Mulher Só" de Harold Robbins. Está folheando. Agora sim, o encerramento. Não te digo tchau porque é uma palavra fechada. E o Grupo Casa é aberto. Para poesia, teatro, música e amor. Venham, pois o meteoro destruidor da Terra foi remarcado para semana que vem. Não podemos bobear. Aproveitemos.


17/02/2017.


fevereiro 16, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 16/02/2017

fevereiro 16, 2017


  Quando Febraro acordou, não tinha sol ainda no céu. Continuou sua saga no Exército. Gabriel foi à faculdade. Yasmim foi para a aula de violão com o Carlão. Ela está ensaiando a canção Amor de Romance de Dilermando Reis. Depois foi a vez de Fernando, teoria e prática. Febraro chegou quando o almoço ficou pronto, mas preferiu dormir um pouco. É a vida. Comemos, demos risadas, nos encontramos e sentimos falta. Falamos sobre teatro, amor, poesia, arte e o mundo. Depois do almoço, continuamos nosso Grupo de Estudo. Líamos duas páginas e debatíamos sobre. As crianças começaram a chegar para a aula de Teatro e Musicalização para crianças de 02 a 04 anos, nos alertando de que nosso debate deveria cessar. Ligia ministrou a aula com seus assistentes Febraro, Samuel e Yasmim. Sensações, movimentos, circuito, jogo. Jogo. Tudo é jogo. Quando a aula acabou, Ligia conversou e perguntou a seus assistentes o que eles sentiram e o que eles perceberam da aula além do óbvio. Fomos até a psicanálise, uma grande aula que se prolongou e foi aumentando conforme a Turma Avançada iria chegando. A aula foi uma grande conversação. Sobre nós, sobre o outro. Sobre o limite, o grande outro. Eu e você. A aula foi acabando e os pensamentos continuavam. Ligia e Fernando saíram para pagar uma conta e voltaram com pizzas! Quando as pizzas chegaram, foi uma felicidade só. Voltamos a falar sobre amor, teatro e poesia. Parecia O Banquete, de Platão. Por falar nisso, nossa biblioteca está aberta com mais de 1.500 livros. Venha conhecer!
  Vamos nos despedindo, lentamente. Fazemos chá, pensamos em viagens, e até em comprar instrumentos musicais (já que o Chaplin comeu uma parte de nossa flauta). Isso é o que nos move. Amor. Poesia. Está começando a ficar repetitivo, então, nos despedimos por aqui. Até o próximo encontro ou desencontro.

16/02/2017

DIÁRIO DE BORDO: 15/02/2017

fevereiro 16, 2017
   Febraro acordou às 5:30 para ir ao exército. Gabriel à faculdade. Ligia e Samuel acordaram às 8:00 para o retorno do médico. Fernando os acompanhou com nervosismo. "Tudo certo" disse o médico. Fim do nervosismo. Voltaram para casa. Fernando e Samuel seguiram para o cabeleireiro. Cortaram os cabelos e ganharam massagem. É incrível o que mãos bem treinadas podem fazer em ombros e o que tesouras ágeis podem fazer em cabelos. Estamos bonitos. Venham nos visitar. Conheçam a nova decoração da garagem e nossos novos cabelos. Ligia e João prepararam o almoço. Aos poucos todos foram se notando e se encontrando até ocuparmos nossos lugares na mesa para almoçarmos juntos. O encontro de Ligia, Fernando, Yasmim, João, Yasmim, Preta, Samuel e Febraro com a carne de soja e o macarrão. Conversamos sobre tudo. Limpamos o teatro para receber os alunos. Após o almoço, iniciamos um grupo de estudos por necessidade. As coisas acontecem por necessidade. Iniciamos a leitura de um livro para um possível novo espetáculo e entramos em conversa. Nós nos apaixonamos muito fácil. Tudo vira vontade de fazer um espetáculo. Dessa vez, planejamos nos aprofundar em romance-em-cena. A primeira parte era uma apresentação do autor. Nos debruçamos sobre sua vida difícil e aventureira. Grifamos palavras bonitas, épocas e acontecimentos para estudar. Rememoramos a pauta do dramaturgo que só era dramaturgo, como Ibsen. Discutimos a formação do artista no século XIX e nos dias de hoje. Pensamos em que gênio pode nos salvar nos dias de hoje. Estamos abalados com a morte do menino que foi agredido com uma mangueira de pressão. Terminamos o grupo de estudo com a promessa de que só leremos as próximas páginas juntos. As crianças começavam a chegar. 17:30. Começamos a aula, as crianças se alongaram e se aqueceram. A primeira hora foi destinada à parte de musicalização, ministrada por João. Os alunos descobriram música em seus dedos, narizes, pés e bocas. O entendimento da música. Usaram as palavras barulho, alma, sentimento e voz para definir o que era música. Estudaram o som do outro para repetir. Criaram a partir do som do outro. Na segunda hora, se alongaram e começaram um estudo do corpo. Andaram e correram pelo espaço em contato com o outro. Se olhando, preenchendo os espaços vazios, usando os planos alto, médio e baixo. Existindo. Teatro é a arte de existir. Terminamos a aula repassando um aperto na mão numa roda. O aperto serve para lembrar que estamos vivos. Toi Toi Toi! Ligia e Kelly trabalharam nas planilhas durante a aula. Fernando caminhou com Azar e Almendra no Parque das Nações Indígenas. Antes, eles só tinham visto o parque por fora. Preta passou o dia fazendo artesanatos para o nosso 1º Zappada, que ocorrerá no domingo. Venham!
   19:30. Aula da turma adulta. O plano de aula era outro mas o grupo de estudos virou uma chave. Outra aula virou necessidade. Sentamos em roda para conversar. Conversamos por duas horas sobre o teatro, o universo e a morte. Por que estávamos fazendo teatro e não pilates. Sobre o quanto ainda precisamos aprender e o quão nada ainda somos. Podemos morrer amanhã e ainda assim temos o costume de nos darmos por satisfeitos. Uma aluna de 13 anos dividiu sua experiência dizendo que entendia a importância do teatro mesmo em meio aos seus medos e disse que seu medo só aumentou à medida que ela entendeu a seriedade da coisa. Passamos da hora. Foi aula de teatro. Teatro dói. Uma aula para o entendimento de que tudo é teatro, uma conversa é teatro e um artista não existe sem trabalho e estudo. Ligia novamente pediu as sinopses dos personagens para a próxima aula. O melhor que podemos fazer.
   22:00. A aula acabou. As conversas continuaram. Aos poucos, foram acabando. A casa foi fechando para o público. Nós mantivemos a brilhante ideia tida mais cedo de jantar na feira. Nos dividimos Ligia, Fernando, Daniel, Febraro, Yasmim, Preta, Samuel, Almendra, Gabriel, Azar e Kelly em três carros. Nunca fomos tantos. Parece até nome de espetáculo. O pastel que comemos estava um espetáculo. Azar comeu pastel pela primeira vez. Adorou mas se sentiu muito cheio. O resto de nós, nem tanto. Ainda coube um doce para cada um. Agora sim, satisfeitos. Passamos na farmácia e voltamos para casa. Logo, todos dormimos. Demos os boa noites, eu te amos e fechamos as portas. Nos encerramos em nossos quartos.
   Teatro é para quem tem uma vontade sobrenatural: os burros de cargas, o que carregam pianos, os que não se cansam nunca, não desistem nunca. Teatro é para quem tem sangue no olho, enfrenta sol, chuva e tempestade, mesmo que os bolsos estejam secos. O resto é falastronice, o que sobra é artista de fim de semana, grupinho de amigos e lero lero, close e rede social. Isso quem disse foi nossa página no Facebook. O diário de bordo concorda e não tem mais nada a dizer. Podemos morrer amanhã, atropelados por um carro ou por um iogurte vencido. E talvez nunca estivemos vivos. Nos demos ao luxo de não estarmos. O asteroide que viria à Terra foi cancelado. Sou contraditório. Boa noite.


15/02/2017.


fevereiro 15, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 14/02/2017

fevereiro 15, 2017
   Samuel e Febraro acordaram às 5:00 da manhã para mais uma etapa do alistamento do exército de Febraro. Samuel e o livro "A Mulher Só" de Harold Robbins foram como acompanhantes. Gabriel foi à faculdade. Ligia, Fernando e Preta ficaram em casa. Preta se dedicou a fazer artesania. Almendra e Azar foram trabalhar. Fizeram música pela cidade. Ligia e Fernando organizaram e limparam a casa. Fernando iniciou a reforma da decoração do nosso lounge de entrada. Chamamos de lounge mas varanda é mais bonito. É a recepção de nossa casa de cultura e onde temos ficado bastante. Ligia e Fernando foram tomar café da manhã em um supermercado com nome de doce que não é de comer. Já era tarde, então acabaram almoçando. Na volta, compraram lã para as tranças que Preta fará em Gabriel e tecidos para a futura cortina da cozinha. João foi à academia e à aula de canto com Nilo Cunha. Ligia preparou a agenda da Cia. e depois ajudou Kelly a organizar as planilhas financeiras. Samuel e Febraro resolveram pendências para o alistamento do exército o dia todo. Durou até às 19:00. Chegaram e encontraram o lounge novo. Fernando pendurou quadros. Resgatou o quadro de Veneza e colocou um desenho do Bagacinho numa moldura. Gabriel pintou a logo do Grupo Casa em nossa parede. Duas cestas de livros sobre teatro foram colocados à disposição. Mantas coloridas no sofá. Nossos penduradores de bolsas em formato de flor made in Pirenópolis foram colocados na sala. A casa está linda. Venham visitar. Fazer aula. Assistir um ensaio. Ler um livro e tomar um café. Kelly descobriu festivais de teatro para nos inscrevermos. Limpamos a sala e arrumamos a mesa para o jantar. Preta pediu para que cada um escolhesse uma pedra para que nos presenteasse com um colar. Ligia preparou uma sopa gostosa. Almendra, Preta e Azar experimentaram com farinha, batata palha e pão. Não sabemos nem se é costume brasileiro mas apresentamos. Gostaram. Falamos sobre educação nos países, a importância da arte na formação do sujeito, sobre o sonho de ter um teatro itinerante, preconceito e família. Falamos sobre nossas diferenças e semelhanças. De que podemos ser ets, ou nos encontramos em outras vidas. Observamos a força de nosso encontro. Um grupo de argentinos viajando pelo mundo parou na esquina de uma casa de cultura onde mora uma companhia de teatro e ficaram amigos. Pensamos muito parecido e temos ótimas conversas. Amamos os encontros. Somos ets. Acreditar em coincidência faz mal. Tudo tem uma explicação mágica. Terminado o jantar, Gabriel começou a fazer a arte do 1º Zappada do Grupo Casa, que acontecerá neste domingo, às 19:00. Zappada é quando músicos se reúnem para tocar. Aprendemos com nossos amigos argentinos. Ligia fez a agenda de trabalho coletivo de fevereiro, contendo todas as aulas e ensaios até o primeiro dia de março. Terminou e enviou no Whatsapp da Cia. João e Almendra tocaram piano. Admiramos. Febraro escreveu uma música. Preta fez nossos colares. Fernando e Azar conversaram. E por aí vai. E por aí vamos. 00:31 e estamos trabalhando com amor. Gravamos nosso 1 minuto pela casa. Ainda temos outros minutos antes de dormir.

   O dia foi longo e lindo. Celebramos mais uma vez os encontros. Encontramos nossa primeira família quando nascemos. Depois conhecemos as outras quando crescemos. Somos extraterrestres. Viemos do planeta Amor para sentar abaixo de luzes amarelas e fazer teatro. Tocamos piano juntos em bancos vermelhos. Toda poesia dita por último veio do primeiro. Todo último sabe quem foi o primeiro. Quem ri junto, ri melhor. Todas as frases prontas ditas com vontade e amor podem nos salvar da breguice. Eu sou cafona, graças a Deus. Viva a nossa porta escrita "Camarim", nossa logo pintada na parede da casa e nosso carro decorado com chita. Temos super-poderes. Somos bregas apaixonados uns pelos outros. Se pudéssemos, nos mandaríamos carros de telemensagem. O locutor, com um vozeirão, repassaria a mensagem: "Ainda bem que eu te encontrei".


14/02/2017.


fevereiro 14, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 13/02/2017

fevereiro 14, 2017
   Acordamos por volta das 10:00. Nosso dia de folga. O que te conto hoje é cortesia. Nossa vida profissional existe nas folgas. Ainda pensamos em cenas, em textos e projetos. Tomamos café da manhã. Samuel e Febraro tentaram resolver suas matrículas na escola, sem sucesso. Fernando preparou o almoço. Almoçamos Ligia, Fernando, Samuel e Febraro. Um arroz carreteiro incrível. João chegou da academia e comeu conosco. Gabriel chegou da faculdade. As folgas foram postas em prática. Ligia nos disse no grupo do Whatsapp para aproveitarmos. Obedecemos. Samuel e Febraro foram ao cinema. Preta, Almendra e Azar provaram o arroz carreteiro e adoraram. Fizeram tranças em Gabriel, que por sua vez, terminou todas as artes de O Pequeno Príncipe, espetáculo que apresentaremos no Bosque dos Ipês neste domingo, dia 19. Fez arte de divulgação para o Facebook e o Instagram. Ligia fez um doce de maçã com a ajuda de Azar. Misturaram a receita argentina com a brasileira e ficou ótimo. Azar fez pãezinhos para acompanhar. Ligia organizou o planejamento das aulas restantes do mês de fevereiro. Samuel e Febraro voltaram decepcionados do cinema. "O Chamado 3" não foi uma boa. Fernando diria que isso é a falta de nove teatros em uma cidade. Concordaríamos. Os argentinos nos fizeram um chá de uma erva de seu país. Trouxeram do fundo da casa de Azar. Faz bem pro cabelo, pra pele e pro estômago. Preta brincou que faz bem para a lã das tranças. Almendra aconselhou açúcar no chá. Estava ótimo sem. Combinamos todos de ir ao cinema, provavelmente amanhã. Queremos levar os argentinos para irem à feira conhecer o famoso sobá. Nos demos um "boa noite" carinhoso. Fim. O resto é crônica ruim e isso este diário não permite. Os cachorros vão dormir e nós também. Viva o teatro! Viva a folga!


13/02/2017.

fevereiro 13, 2017

DIÁRIO DE BORDO: 12/02/2017

fevereiro 13, 2017
   Acordamos por volta das 8:00. Tomamos café da manhã, separamos os figurinos e os instrumentos musicais e partimos para o shopping Bosque dos Ipês. Arrumamos a iluminação, posicionamos os objetos utilizados no cenário e começamos o ensaio. Passamos a peça inteira. Testamos as mudanças, corrigimos as falhas, tentamos usar das potências de cada um. Tudo durou até às 14:00. Almoçamos o mais rápido possível e fomos nos arrumar. Hora de virar Bagacinho, Bolonhesa, Pão com Ovo, Charanga, Coringa, Mixirica, Berinjela, Alcaparra e Carranca! Devidamente maquiados e vestidos, nos pusemos a testar os microfones. O público já observava. Às 15:15, iniciamos o cortejo. Às 15:30, começamos a peça. As Aventuras de Bagacinho em Pinóquio! Estreia de Berinjela como Gepeto. Teatro lotado, incluindo nossos amigos argentinos. Energia boa. Energia de criança. Caras novas e caras conhecidas. 40 minutos depois, entre risadas e olhos atentos, Pinóquio virou um menino de verdade, fomos felizes para sempre e fim. Viva o teatro! Quem gostou fez barulho.

   Terminada a peça, tiramos nossas maquiagens, guardamos nossos figurinos e desocupamos o palco para um evento do shopping. Chegamos em casa às 18:00 para o aniversário de Marcos, pai de Ligia. Sabe-se que teve bolo e churrasco. Existem boatos a serem confirmados de que nos refastelamos. A folia terminou próxima das 23:00. Nossos amigos argentinos, que animaram todo o evento com música, seguiram cantando. Nos juntamos. Cantamos as músicas de nossas peças. Tiveram uma palhinha de Bagalício no País das Maravilhas. Disseram querer ficar o ano inteiro para acompanharem todas as histórias. Estão convidados. Encerramos o dia com música. Todas as boas. Cantando e dançando. A vida nos convida para dançar. 


Doce de brigadeiro de 2017.


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